Tokyo, 1996
Eu me sinto uma estrangeira, passageira de algum trem, que não passa por aqui, que não passa de ilusão.
Porto das estrelas

blues-nocturne:

És um museu de arte, beleza e dor.
Sinto o abraço da tua alma, solidão azulada.

Encaro teus olhos, com cores inquietas;
Encaro tua boca, broto de rosas vermelhas;
Encaro teu corpo, Vênus em esculturas.

Tu tens a poesia bordada na pele
e ela brilha em teus cabelos vermelhos;

Estes teus poemas que são feitos de poeira estelar…
Esses poemas queimam. Transbordam martírios e maravilhas.
Tesouro de um coração cansado, mas vigoroso e forte e luminoso.

És poetisa do girassol, da solidão e dos sonhos gigantes.
És vítima do romance, da insonia e do mundo sombrio.

Os artistas te escreviam e te pintavam antes mesmo
do teu nascimento. O Universo anseiava tua presença.
Sinto-me preso aos teus versos e lábios e doçura.

Avisto em teu ser, toda a arte de uma existência doída e bela.
Quero prender-me à ti. Voar alto no teu céu imenso, teu dom divino.

Tem um mundo em cada detalhe seu. 
És porto, cais e lar de dor, poesia, flores, amor e estrelas.

Cruzada

reflexoesinfinitas:

Brados foram entoados
Para as nossas bandeiras
Enquanto marchávamos
Rumo aos pesadelos

Seguimos cegamente
Os loucos para o inferno
Apenas para causar
Dor e sofrimento

Embarcamos nessa cruzada
Pois queríamos ser heróis
Mas acabamos massacrando
Aqueles que deveríamos proteger

Não existem justificativas
Para as nossas ações
Então só nos resta esperar
Pela vingança das lágrimas rubras

Jundiba

Nojo

trincadonoespelho:

(Uma ode a Poe)

Meu nome é veneno. Deslizo rubro por entre seus lábios frios. Há pouco, misturava-me ao vinho e derretia suas entranhas. Sua garganta queimava enquanto o estômago desabava molenga entre seus outros órgãos. O fígado desfazia-se em gordura, como sobras de comida descendo pelo ralo. Suas tripas abriam-se como linguiças rançosas. Mesmo assim, você me tomou. Tomou, tomou, e continua tomando.

A cada gole, minhas garras rasgam mais seu esôfago, como um pirata perneta rasgando a pele da tartaruga, sua única refeição em meses ao mar. A cada suspiro, suas lágrimas de vinho tinto dão volume ao copo que me esconde. A cada sorriso, você me consome cada vez mais. Seu vício sou eu, mas meu vício é você.

Seus olhos se fecham e se abrem bem devagar, transformando as piscadas no portão de um fosso bem alto. Sobre seu olhar, o branco passa sem sujar as vestes. Que ironia. Por dentro, tão destruída, mas não deixa de ser linda. Liquefeita, mas cristalina. Vil, mas pura. Sempre sorrindo, de lábios bem cheios. Talvez eu não saiba, tão bem assim, como matar você.

Você se levanta e a janela se abre. A luz me empurra para fora do seu seio. Vou escorrendo embora conforme seus dedos chegam e alcançam os raios de sol. A roupa veste seu corpo nu, roçando o algodão em sua pele sedosa. Seus pés entram nos sapatos, a calça é abotoada. De pouco em pouco, não estou mais lá, e você criou sua manhã. Suas tripas doem, mas você sai pela porta. Sua garganta arde, mas você abre os lábios. Que derrota para mim.

Só me resta esperar em mais uma garrafa de vinho. A dúvida, porém, em mim cresce. Talvez, bem talvez, eu não consiga ser sujeira que você não possa limpar.

No te enamores de mí

poradrianagonzalezv:

No te enamores de mí. No pierdas tu tiempo. Dirige tus ojos hacia otra chica más bonita, más guapa, más linda, más delgada y que sí pueda corresponderte.

No te intereses en mí. No me hables. No me busques. Sólo sigue con tu vida y pasa de largo que aquí no hay nada que mirar. Así es, como en una escena del crimen donde aún subsiste tendido el cadáver en el suelo.

No me busques, de verdad. No me hagas en tu vida. Deseo con todas mis fuerzas no cruzarme por tu mente en absoluto. Deseo que encuentres a otra chica o inclusive más cosas que valgan más tu tiempo. Deseo que tu tiempo lo ocupes en ser el mejor de lo que sea tu rubro, que seas alguien muy exitoso en la vida y que no volvamos a vernos más.

rubro e azul

zaluh:

rubro: o gosto metálico sanguíneo na minha boca que você causa quando eu descubro que tudo isso se trata de um romance unilateral. amor da minha parte, descaso da tua. que parte.

azul: tristeza e melancolia que você traz quando se vai e se esvai da minha vida com uma insensibilidade, até mesmo invejável, alguns diriam. viro céu de anil em tempos de chuva: choro ininterruptamente. 

rubro e azul são as cores da minha dor.

p-o-e-s-i-a:

enquanto beethoven toca ao fundo, eu percebo, 
sou meu próprio veneno
mas também
sou a minha cura.

cr.

Não quero ter mais medo. Quero ser corajosa. Quero… que a vida comece a acontecer.”
Para todos os garotos que já amei (via umalivreira)
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Sentir muito tem dois sinônimos e ambos são divergentes, sentir muito de amar demais e sentir muito pelo pesar, da perda ou da falta da conquista. Sentir muito nunca é fácil, ama-se demais ou perde-se demais. Perder-se demais pode ser, se perder ou perde-se de alguém e ambas as perdas são dolorosas demais de se lidar. Ninguém quer sentir muito, primeiro porque amar demais pode doer demais e segundo porque perder alguém dói ainda mais. Ter alguém e perde-se é como viver com o peito sangrando.”
Anna Paula Varella. (via nobroke)
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